Agência Pública e Repórter Brasil vencem Gabriel García Márquez

Dois trabalhos brasileiros, de Agência Pública e Repórter Brasil, estão entre os vencedores do Prêmio Gabriel García Márquez de Periodismo 2016, promovido pela Fundación para el Nuevo Periodismo Iberoamericano (FNPI), da Colômbia. É a primeira vez que vencedores brasileiros do prêmio (antigo FNPI) não são ligados a um grande grupo de comunicação.

Natalia Viana, da Agência Pública, venceu na categoria Texto, com a reportagem São Gabriel e seus demônios. Ela foi até o alto rio Negro, no noroeste do Amazonas, para entender por que o município mais indígena do Brasil é também o que tem o maior índice de suicídios. Natália também estava entre os finalistas da categoria Cobertura, com Especial Angola, produzido em parceria com Eliza Capai.

Cena do documentário Jaci: sete pecados de uma obra amazônica
Cena do documentário Jaci: sete pecados de uma obra amazônica

Em Imagem, o prêmio foi para o documentário Jaci: sete pecados de uma obra amazônica, de Caio CavechiniCarlos Juliano Barros e Ana Aranha. Produzido para a ONG Repórter Brasil, o trabalho revela os bastidores da construção de Jirau, uma das maiores hidrelétricas do Brasil. Na mesma categoria, concorreu o também brasileiro Fabio Teixeira, que produziu o ensaio Por dentro da Vila Mimosa, para a Vice Brasil.

Fundada em 2001 por jornalistas, cientistas sociais e educadores, a Repórter Brasil atua independentemente para fomentar a reflexão e ação sobre a violação aos direitos fundamentais dos povos e trabalhadores no Brasil.

Mais recente, de 2011, a Agência Pública aposta desde sua criação no crowdfunding para financiar reportagens investigativas dos mais variados temas. Em sua curta história de vida, já acumula alguns importantes prêmios de jornalismo brasileiros e internacionais, como Petrobras, Tim Lopes, MPT, Online Journalism Awards, Roche, Jornalistas&Cia/HSBC, Allianz, Mulher Imprensa e Comunique-se, além agora do Gabo.

Nas demais categorias do concurso os ganhadores foram Juanita León (Colômbia), na categoria Cobertura, com La justicia que sale de La Habana, para o La Silla Vacía; e a equipe do espanhol Fundación Civio, formada por Eva Belmonte, Miguel Ángel Gavilanes, David Cabo, Raúl Díaz Poblete e Antonio Villarreal, que faturaram a categoria Inovação com Medicamentalia.

A iniciativa já havia concedido também Reconhecimento de Excelência Jornalística à equipe do site de notícias salvadorenho El Faro, uma das publicações digitais pioneiras na América Latina.

No total, foram 1.608 trabalhos inscritos na premiação, sendo o Brasil o segundo país com mais inscrições (267), atrás apenas da Colômbia, sede da premiação e da FNPI, com 365 trabalhos.

Vale lembrar que esse prêmio é um dos que rendem maior pontuação no Ranking dos +Premiados da Imprensa, 85 no total (42,5 para equipes).

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