Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão chega à nona edição

Este ano, Jornalistas&Cia figura como apoiador da iniciativa

Em 2009, a ideia do Instituto Vladimir Herzog de estimular estudantes de jornalismo à produção de conteúdo sobre Direitos Humanos ganhou nome e sobrenome: Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão. Com ele, o IVH passou a oferecer uma vez por ano, aos autores de até dez temas selecionados, a oportunidade de desenvolverem um trabalho jornalístico prático e reflexivo, desde o projeto de pauta até a realização final de uma reportagem.

Para isso, a orientação dos professores é (e sempre foi) fundamental. Tanto o processo de construção da matéria quanto o produto final devem, necessariamente, ser orientados por um professor da instituição de ensino à qual pertence o estudante.

A pauta selecionada recebe ainda o acompanhamento de um jornalista mentor especialmente designado pela organização do Prêmio.

Desse grupo de mentores, ao longo das oito edições já realizadas, fizeram parte Allana Rizzo (atualmente em Veja), Aquiles Lopes (ex-Folha e Diário de Pernambuco), Audálio Dantas (dispensa apresentações),Bianca Vasconcellos (que passou pelas tevês Bandeirantes, Globo, Manchete, SBT e Record), Dácio Nitrini (Estadão, Folha e tevês Globo, SBT, Record, Cultura e Gazeta), José Hamilton Ribeiro (o homem do Globo Rural), Leonêncio Nossa (Estadão), Letícia Duarte (premiada repórter de Zero Hora, que hoje participa do Programa Jornalistas de Visão, nos EUA), Marcos Emilio Gomes (atualmente na CBN), Mauri König (vencedor do Maria Moors Cabot), Milton Bellintani (coordenador do curso Descobrir São Paulo – Descobrir-se Repórter, projeto do Repórter do Futuro, já falecido), Paulo Markun (ex-apresentador do Roda Vida, na TV Cultura), Paulo Oliveira (A Tarde), Ricardo Carvalho (membro da Comissão de Educação e Comunicação da IUCN) e Soninha Francine (vereadora de São Paulo, com passagens no jornalismo por MTV, Cultura, ESPN Brasil, GNT, Folha de S.Paulo e CBN).

Um nome de peso

A iniciativa é uma homenagem ao jornalista Fernando Pacheco Jordão, que sempre se preocupou com o desenvolvimento dos jovens profissionais de imprensa, e a Vladimir Herzog, cuja vida foi dedicada a promover um jornalismo de qualidade, verdadeiro e, acima de tudo, responsável.

Amigos fieis, o primeiro encontro profissional de Vlado e Jordão aconteceu no Estadão. Um pouco mais tarde, em meados dos anos 1960, encontraram-se em Londres, quando ambos atuavam na BBC. Em terras britânicas dividiram inclusive moradia.

Em seu regresso ao Brasil, em 1968, Pacheco Jordão foi convidado a atuar na TV Cultura, onde criou o jornalismo com o programa Foco na Noticia, que posteriormente passou a se chamar Hora da Notícia. Também produziu programas didáticos, documentários e até dirigiu um teleteatro que foi premiado num festival interno. Em 1974 foi para a TV Globo, onde editou o Jornal Nacional em São Paulo e foi diretor doGlobo Repórter.

Em 1975, cotado para assumir a direção de Jornalismo da TV Cultura, Jordão declinou o convite e indicou Vlado ao posto, que ocupou até o seu assassinato nos porões da ditadura, em outubro daquele ano. Na época do crime, Jordão era também diretor do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Pouco tempo depois, lançou o Dossiê Herzog – prisão, tortura e morte no Brasil, livro que se tornou um documento fundamental para a história do País.

Para 2017

Este ano, o Prêmio Fernando Pacheco Jordão chega à nona edição, e nele Jornalistas&Cia atua pela primeira vez como apoiador. O tema, sempre dentro do universo Direitos Humanos, é Sob a ponta do iceberg: revelando a violência contra as mulheres que ninguém vê.

A proposta se baseia em dados revelados em março na pesquisa Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil – realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Instituto DataFolha, com apoio do Instituto Avon e do Governo do Canadá –, mostrando que 12 milhões de mulheres no País sofreram algum tipo de ofensa verbal em 2016. Outros dados impressionam: mais de 5 milhões de mulheres foram assediadas e humilhadas publicamente no transporte público; 4,4 milhões sofreram violência física como tapa, chute ou soco e 1,4 milhão foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento.

Ao longo das próximas semanas no Portal dos Jornalistas (e também em Jornalistas&Cia), conversaremos com os estudantes vencedores das oito pautas da edição de 2016, tanto para apresentar ao mercado seus trabalhos como para conhecer os anseios desses millenials, que já atuam no Jornalismo, e estimular novos estudantes a participarem da premiação, que abre suas inscrições no próximo dia 8 de maio. Não perca! 

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