A reinvenção do jornalista – Colhendo frutos

Por Mariana Ribeiro (marianaribeiro@jornalistasecia.com.br)

Iniciativa independente e conteúdo premiado. Essas são características em comum de Agência Pública e Repórter Brasil. Os dois empreendimentos venceram recentemente o almejado Prêmio Gabriel García Márquez de Periodismo, que reconhece trabalhos publicados em espanhol ou português, em países das Américas e da Península Ibérica.

É a primeira vez que vencedores brasileiros do prêmio não estão ligados a um grande grupo de comunicação. Conhecido nos anos anteriores por FNPI, o prêmio é promovido pela Fundación para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, da Colômbia.

Pela Agência Pública, quem venceu foi a experiente Natalia Viana, na categoria Texto, com a reportagem São Gabriel e seus demônios. Em um trabalho profundo de escrita – entrecortado por gifs e arte indígena –, Natália retratou o alto rio Negro, no noroeste do Amazonas, que tem um elevado número de indígenas e um impactante índice de suicídios.

A região amazônica também inspirou o outro brasileiro vencedor: o documentário Jaci: sete pecados de uma obra amazônica, de Caio CavechiniCarlos Juliano Barros e Ana Aranha, na categoria Imagem. Produzido para a ONG Repórter Brasil, o filme esmiúça a construção de Jirau, uma das maiores hidrelétricas do Brasil.

“Somados os esforços de pesquisa para o Ranking dos +Premiados da Imprensa, que realizamos desde 2011, e de produção editorial do site Mais Premiados, lançado este ano, hoje somos capazes de fazer um acompanhamento detalhado de mais de 150 prêmios de jornalismo nacionais e internacionais”, diz Fernando Soares, coordenador da inciativa +Premiados Jornalistas Brasileiros, desenvolvida por Jornalistas&Cia. “Até então, vez ou outra podíamos perceber algum novo projeto editorial independente sendo reconhecido em alguma premiação importante, mas o que vimos este ano foi um salto muito grande nesse sentido”.

Fernando conta ainda que, no caso do García Marquez, todos os finalistas brasileiros (quatro no total) foram trabalhos elaborados por iniciativas independentes. Na lista, além dos vencedores, estão o Especial Angola (também realizado pela Pública) e a série fotográfica Por dentro da Vila Mimosa, produzida por Fabio Teixeira e publicada pela Vice Brasil. “É a primeira vez que isso acontece na história dessa premiação. Acredito que esse indicativo – somado a outros bons resultados que já pudemos perceber em outras premiações – é um sinal de que a forma de produzir e consumir jornalismo (em especial as reportagens de profundidade) está mudando”, comenta.

Os resultados estão chegando. Tomara que os investimentos também.

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