Reportagens sobre exploração no trabalho são premiadas pela Anamatra

A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) promoveu em 24/11, no Museu de Arte do Rio, a cerimônia de entrega do 7º Prêmio Anamatra de Direitos Humanos. O júri elegeu os vencedores nas categorias Cidadã, Programa Trabalho, Justiça e Cidadania e Imprensa, sendo que esta última contemplou quatro subcategorias: Impresso, Televisão, Rádio e Fotografia.

Em Televisão, o troféu foi para a reportagem especial As eternas escravas, do programa Repórter Record Investigação, da TV Record, que denunciou a escravidão de crianças negras e pobres em Goiás. Segundo documentos apresentados pela equipe, meninas entre 9 e 14 anos são amarradas, torturadas e transformadas em servas domésticas e sexuais no quilombo Kalunga, região próxima a Brasília. As denúncias incluem “leilões” de menores virgens por 100 reais e os acusados são políticos e pessoas ricas de Cavalcante, cidade vizinha ao quilombo.

A reportagem já havia conquistado em 2015 outros importantes prêmios, como o Esso de Telejornalismo, o Iberoamericano Rei de Espanha e o Petrobras. Integraram a equipe de produção, edição e reportagem Lúcio Sturm, Gustavo Costa, Marcelo Magalhães, Michel Mendes, Valmir Leite, Caio Laronga, Natália Florentino, Renato Battaglia e Rafael Gomide. A apresentação do programa, que foi descontinuado recentemente pela Record, era de Domingos Meirelles.

Na categoria Impresso, o vencedor foi Escravos da moda, da Revista Galileu. De autoria de Thiago Tanji, a reportagem mostrou a realidade do submundo da moda, alertando para problemas com a exploração da mão de obra e trabalho forçado e infantil.

Em Rádio, o prêmio foi para Marcada para lutar, da CBN João Pessoa. Produzido por Hebert Lenin de Araújo, o especial retrata o surgimento das ligas camponesas na região Nordeste na década de 1960, durante as turbulências políticas e sociais.

Já em Fotografia, a vencedora foi a série Rio Negro: Piaçabeiros reféns do isolamento e da escravidão, publicada no jornal Amazonas em Tempo. O trabalho de Sergio Ricardo de Oliveira ilustra matéria sobre a vida de homens e mulheres que trabalham com o extrativismo de fibras de piaçava no norte do Amazonas, reféns do isolamento, das condições degradantes de trabalho e até mesmo do trabalho forçado.

Cada trabalho vencedor recebeu troféu e R$ 10 mil, e renderá 25 pontos (12,5 para trabalhos em equipe) na próxima edição do Ranking dos +Premiados da Imprensa.

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